Todo mundo em clima de carnaval? Então toma!

Uma ópera eletrônica (!) em disco duplo de uma hora e meia (!!) sobre “A Origem das Espécies” de Darwin (!!!). O resultado só poderia ser um: cabeçudo. Ao extremo.

Tomorrow in a Year, a ópera, teve apresentações em Copenhague em setembro do ano passado e agora originou o álbum, que deve ser lançado fisicamente em 1° de março.

O novo disco do Knife ensina exatamente como não ser popular. Obviamente não é som pra qualquer um: exige fones de ouvido, imaginação e paciência. “Variation of Birds”, por exemplo, vai do insuportável ao belíssimo em seis minutos e quarenta segundos. Seguido a isso, coachares, cantos de pássaros, cigarras, cachoeiras e ventos durante 2 faixas e mais de 10 minutos (gravados diretamente da Amazônia!). “Colouring of Pigeons” e “The Height of Summer” são oásis lá pelo segundo disco.

É inegável, no entanto, que há muito clima no disco. Abstraindo um pouco você consegue sentir mais ou menos como se presenciasse a formação da Terra (mas lembre-se: fone de ouvido, imaginação e paciência). Mais do que experimentar o The Knife mostra com maestria como a música eletrônica pode ser usada para fins diferentes do tucs-tucs e do “dançar como se não houvesse amanhã”.

Com sopranos, barulhos e arranjos eletrônicos muito competentes, “Tomorrow, in a year” é o disco mais perturbador e experimental desse fim de década.

Ouve se tiver coragem, mas é uma experiência bem interessante.

Ps.: Esse disco vazou há algum tempo e tá disponível no site da banda, mas como o disco físico ainda não foi lançado, tá valendo.

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