Notícias direto do Cercadinho dos Fumantes
“A polícia de um lado e o usuário de outro.”
Há muitos anos atrás me lembro das letras fortes do “Planet Hemp”, gritando a importância de se legalizar a “erva” e o quanto ela ser ilegal é bom para o tráfico, no final das contas nenhum dos nossos governantes ouviu, mas anos depois vieram com uma lei conhecida em muitos países, a lei que impede o fumo do tradicional cigarro em diversos locais, aquele cigarro comum que não precisa comprar escondido se for maior de idade.
Eu sou fumante, mas admito que devemos respeitar as pessoas em volta, portanto se você puder soltar a sua fumaça em um local aberto e bem arejado com certeza iria demonstrar respeito pelo colega que está ao lado, fumar era simplesmente uma mistura de estrutura e respeito ao próximo, pois nem em uma das extintas “Áreas de fumante” você deveria soprar fumaça diretamente em outra pessoa.
Eis que hoje fumando do lado de fora de um Pub aqui em Sampa decidi clarear os meus olhos e pensar sobre o local que me encontrava, independente da discussão sobre o comércio que gastou fortunas em projetos arejados e equipamentos de ar condicionado, estava pensando em minha situação atual. Fumando um cigarro em um pequeno cercado do lado de fora do Pub enquanto do lado de dentro várias pessoas fumavam uma “erva” diferente.
Eis que vieram na minha cabeça as velhas palavras do Planet Hemp:
“Tendo que viver escondido no submundo
Tratado como pilantra, safado, vagabundo
Só por fumar uma erva fumada em todo mundo
É mais que seguro proibir que é um absurdo”
Hoje tudo mudou de figura, aquele que fuma cigarro é um fora da lei que deve se esconder como puder, enquanto a maconha é tão banalizada pela nossa sociedade puritana e hipócrita que nem mesmo a polícia pareceu se importar com aqueles que fumavam maconha dentro do pub, por outro lado se eu botasse um pé fora do cercadinho o bicho ia pegar.
A minha esperança é que com o tempo o fumante pare de ser a “bola da vez” das críticas e projetos de lei, o segredo não é banir ou simplesmente invocar leis que pouco fazem sentido, há poucos meses atrás me pediram para não fumar em frente a um bar aonde estava e me direcionaram para o posto de gasolina ao lado. O que seria de mim sem os grandes pensadores como os homens daquele local?
E eu continuo queimando meu cigarro comprado com uma carga tributária enorme até a ULTIMA PONTA!
Alô cubanos. Sou o Daltron e, no primeiro dia de 2010, tô fazendo meu debute aqui no mondo.
Tem circulado pela web um vídeo em que supostamente Boris Casoy e Joelmir Betting se divertem com um comentário um tanto quanto preconceituoso. Só não sabiam que o microfone estava ligado. Vejamos:
Alguns pontos sobre o vídeo:
- não conheço, nunca analisei e, na verdade, nunca me interessei pela vida e pelo comportamento do Boris Casoy. Mas ele não parece ser lá a pessoa mais politicamente correta do mundo…
- comentários infelizes acontecem. Mas quando você está na mídia eles são muito mais ofensivos. Quando você é um jornalista de respeito, então são inaceitáveis. Mesmo que feitos “extra-oficialmente”.
- será essa uma galhofa gratuita, um desabafo sobre as bobagens que os jornais passam em fim de ano, ou puro preconceito mesmo? O que pensavam aquelas cabeças brancas?
- a qualidade do vídeo é ruim o suficiente para ter uma autenticiadade duvidosa. Mas há mais de uma versão do vídeo circulando por aí. Se alguém presenciou a cena comenta aí.
- ou 2010 tá começando quente ou é a última do danado 2009.
A atitude é condenável, não há dúvida. Mas há mais coisas a se pensar do que ser apenas politicamente correto.
Tira suas conclusões aí e escreve nos comentários.
Até a próxima!
Update: Boris Casoy reconheceu hoje no Jornal da Band o vazamento de áudio da “frase infeliz” sobre os garis e pediu “profundas desculpas aos garis e aos telespectadores”. Digno.
Update 2: Já colocaram o vídeo das desculpas. Ei-lo aqui:
Debora Diniz* – O Estado de S.Paulo
O caso não caberia nem em um folhetim vulgar, não fosse o YouTube denunciando a verdade. A “puta da faculdade” é uma história bizarra: uma mulher de 20 anos é vítima de humilhações. A razão foi um vestido rosa e curto que a fazia se sentir bonita. Sem ninguém saber muito bem como o delírio coletivo teve início, dezenas de pessoas passaram em coro a gritar “puta” e ameaçá-la de estupro. A saída foi esconder-se em uma sala, sob os urros de uma multidão enfurecida pela falta de decoro do vestido rosa. Além da escolta policial, um jaleco branco a protegeu da fúria agressiva dos colegas que não suportavam vê-la em traje tão provocante.
Colegas de faculdade, professores e policiais foram ouvidos sobre o caso. O fascínio compartilhado era o vestido rosa. Curto, insinuante, transparente foram alguns dos adjetivos utilizados pelos mais novos censores do vestuário da sociedade brasileira. “A roupa não era adequada para um ambiente escolar”, foi a principal expressão da indignação moral causada pelo vestido rosa. Rapidamente um código de etiqueta sobre roupas e relações sociais dominou a análise sociológica sobre o incidente. Não se descreveu a histeria como um ato de violência, mas como uma reação causada pela surpresa do vestido naquele ambiente.
O que torna a história única é o absurdo dos fatos. Um vestido rosa curto desencadeia o delírio coletivo. E o delírio ocorreu nada menos do que em uma faculdade, o templo da razão e da sabedoria. Os delirantes não eram loucos internados em um manicômio à espera da medicação ou marujos recém-atracados em um cais após meses em alto-mar. Eram colegas de faculdade inconformados com um corpo insinuante coberto por um vestido rosa. Mas chamá-los de delirantes é encobrir a verdade. Não há loucura nesse caso, mas práticas violentas e intencionais. Esses jovens homens e mulheres são agressores. Eles não agrediram o vestido rosa, mas a mulher que o usava para ir à faculdade.
Não há justificativa moral possível para esse incidente. Ele é um caso claro de violência contra a mulher. Ao contrário do que os censores do vestuário possam alegar, não há nada de errado em usar um vestido rosa curto para ir às aulas de uma faculdade noturna. As mulheres são livres para escolher suas roupas, exibirem sua sensualidade e beleza. A adequação entre roupas e espaços é uma regra subjetiva de julgamento estético que denuncia classes e pertencimentos sociais. Não é um preceito ético sobre comportamentos ou práticas. Mas inverter a lógica da violência é a estratégia mais comum aos enredos da violência de gênero.
A multidão enfurecida não se descreve como algoz. Foi a jovem mulher insinuante quem teria provocado a reação da multidão. Nesse raciocínio enviesado, a multidão teria sido vítima da impertinência do vestido rosa. As imagens são grotescas: de um lado, uma mulher acuada foge da multidão que a persegue, e de outro, do lado de quem filma, dezenas de celulares registram a cena com a excitação de quem assiste a um espetáculo. Ninguém reage ao absurdo da perseguição ao vestido rosa. O fascínio pelo espetáculo aliena a todos que se escondem por trás das câmaras. Quem sabe a lente do celular os fez crer que não eram sujeitos ativos da violência, mas meros espectadores.
Pode causar ainda mais espanto o fato de que a multidão não tinha sexo. Homens e mulheres perseguiam o vestido rosa com fúria semelhante. Há mesmo quem conte que a confusão foi provocada por uma estudante. Mas isso não significa que a violência seja moralmente neutra quanto à desigualdade de gênero. É uma lógica machista a que alimenta sentimentos de indignação e ultraje por um vestido curto em uma mulher. A sociologia do vestuário é um recurso retórico para encobrir a real causa da violência – a opressão do corpo feminino. Não é o vestido rosa que incomoda a multidão, mas o vestido rosa em um corpo de mulher que não se submete ao puritanismo.
Não há nada que justifique o uso da violência para disciplinar as mulheres. Nem mesmo a situação hipotética de uma mulher sem roupas justificaria o caso. Mas parece que uma mulher em um vestido insinuante provoca mais fúria e indignação que a nudez. O vestido rosa seria o sinal da imoralidade feminina, ao passo que a nudez denunciaria a loucura. A verdade é que não há nem imoralidade, nem loucura. Há simplesmente uma sociedade desigual e que acredita disciplinar os corpos femininos pela violência. Nem que seja pela humilhação e pela vergonha de um vestido rosa.
*Antropóloga, professora da UnB e pesquisadora da Anis – Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero
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vestido cor de rosa





