Ter um cara com a mão pregada na sua bunda por falta de opção e não por gosto é um grande exercício de desapego. Trabalhar o desapego ao corpo, e outras coisas vãs, leva anos de terapia, mas no metrô do rush fica resolvido em 5 minutos.
Você sempre tem a opção de sentar e chorar, sentir se abusado, corroído, mas você precisa fazer o trajeto casa-trabalho todo dia repetidamente… Então, rola um “continue a nadar”. Desconsiderando obviamente os casos específicos e extremos de pessoas mal intencionadas.
Funciona assim: Você precisa entrar no transporte público para alcançar o tão amado emprego, logo precisa aderir a maré: Ou se deixa arrastar pela turba desenfreada, ou cava a forcéps seu próprio espaço. Espaço este que aqui tem um conceito pouco abrangente…
E na sequência sua bunda, peitos, suvacos, enfim, seu corpo esta encaixado das mais diferentes e ímpares maneiras possíveis. Dê preferência entre pessoas que te dão paúra tipo um anão e qualquer pessoa que não parece tomar banho. (Não sejam hipócritas de fingir que não tem nojinho de ninguém)
Nunca se possui o próprio corpo dentro de uma turba. Você se lembra então de que é patrimônio público e ponto. Indiscutível, mas tá bom se desde quando você nasce pertence ao governo, não é mesmo? O que é uma mão no peito e outra na bunda?
É incrível que um modelo de vida tão capitalista lhe seja tão socialista, imperialista, e todos outros istas em troca… Tudo, menos capitalista! Porque quando você compra seu bilhete o espaço pessoal não está incluso.
*da série desaforismos pessoais sobre a existência





