Um dos mais caóticos trânsitos do hemisfério sul.
Foi tudo muito rápido.
Sexta-feira chuvosa de 8 de janeiro de 2010. 16 horas e 42 minutos.
Região oeste de São Paulo.
Um estrondo, seco e contínuo.
Acelerações intermitentes de um veículo.
Me viro para a cena.
Um ser humano esmurrando o capô de um veículo com a máxima força e ira.
Outro ser humano acelera e desacelera o motor engatado contra o “oponente”.
Trinta intermináveis segundos.
Uma guerra entre punhos e pedais.
A cada murro, uma acelerada e o corpo escorrega sobre o capô.
Da parte frontal para a lateral.
O pedal acelera e vai.
Os punhos doloridos também partem.
Sob a chuva.
Todos os presentes, nenhuma reação. Apenas reflexão.
Está demais. Não comporta mais.
Está mais fácil e todos querem o seu.
Saí andando pra esfriar a cabeça.
No trajeto, olhares pasmos, quietos, pensativos.
E eu pensando na minha bike.
Nessa confusão toda.
Será que posso? Se consigo? Se sobrevivo?
Sem resposta.
Infelizmente enfrento.
Isso tudo.
Cansa!




