Certa vez James Murphy, a cabeça do LCD Soundsystem, disse que o próximo disco seria o último da banda. Também disse que ele seria o melhor disco da década. Duvido de ambos, mas é hora de tirar pelo menos uma das dúvidas. Acabou de vazar o disco que vai ser lançado daqui um mês ainda, e que causou certa comoção no twitter, deixando o termo “LCD Soundsystem VAZOU” em primeiro no Trending Topics Brasileiro (ok, só ficou em primeiro porque o pessoal fez piadinha com aparelho de televisão…).

This Is Happening

“Dance Yrself Clean” é um épico de 8 minutos e 58 segundos. Começa calma, silenciosa, mas o minuto 3 em seu oitavo segundo dá uma das viradas mais legais do pop nessa década. E os seis minutos restantes vão assim, eletrônicos, dançantes, vibrantes. Boa demais! “Drunk Girls” é aquele hino instantãneo que a gente já conhece. “One Touch” é o que é o LCD Sounsystem, indie, festivo, eletrônico e, de certa maneira, intrigante. Com essa tríade incrível inicia This is Happening.

Quando é melódico (“All the Time”), dançante (“I Can Change”), gingada (“Pow Pow”), Murphy acerta sempre. O cara não experimenta; ele sabe. Sabe muito bem o que, como e quando fazer, o que misturar, que som usar. Sabe como fazer um disco foda, completamente foda!

Se é o melhor da década eu não sei. Se é o último da banda então foi muito bem aproveitado e fecha a historia com chave de ouro.

Ouve agora, que é excelente.

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Vionte e dois dias antes de ser lançado oficialmente, vazou o esperado, muito esperado disco do coletivo canadense Broken Social Scene.

Forgiveness Rock Record

Há cinco anos sem lançar discos, o Broken Social Scene, uma das mais festejadas bandas indie, voltaram. E com pompa e responsabilidade.

O primeiro destaque vai, claro, para a fantástica “World Sick”. Em seguida logo vêm “All to All” e “Chase Scene”. São três músicas bem diferentes, mas que mostram bem o espírito da banda.

“Art House Director” traz algum alívio pros saudosos das batidas abrasileiradas da banda. Mas é mais que isso, um musicão e tanto. Já “Ungrateful Little Father” traz o lado energético melódico experimental da banda. A bonita “Meet Me in The Basement” segue a mesma linha. Mais tarde a incrível “Romance to The Grave”.

Forgiveness rock record é o que o título sugere: um álbum terno, caloroso, alegre e positivo. Vocais, instrumentais, arranjos, tudo funciona muito bem e em harmonia. Sons memoráveis e rock competente, como sempre.

A impressão que deixa é que a banda fez a coisa certa na hora certa, e só gravou esse disco quando teve certeza de que tinham algo bom, muito bom pra tocar e cantar. Cinco anos bem investidos.

Ouve, é excelente.

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O terceiro mês do ano se foi. E aqui mais uma vez você vê, compactado, o que aconteceu de mais comentado e relevante. Clique à vontade. E se você achar que falta alguma coisa manda no comentário, não se acanhe.

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Em 2008 lançou Oracular Spectacular, um álbum surpreendentemente hippie (e bom). Emplacou um hit indie. É acusados de dar força à modinha do hipster. E dia 13 de abril o MGMT irá lançar o esperadíssimo segundo álbum que caiu ontem na rede.

MGMT nos leva mais uma vez de volta aos anos 70. Dessa vez menos hippie, menos primitivo (?), muito mais lisérgico e etéreo, um pouco infantil (como a capa horrorosa denuncia), um pouco funk (talvez algumas memórias de Jackson 5), um pouco progressivo (muitas memórias de qualquer banda cabeçuda da época).

O álbum causa alguma estranheza, lógico, mas é essencialmente pop e repleto de referências e memórias (verdadeiras ou não). A sexta música, “Siberian Breaks”, por exemplo, é um épico de 12 minutos, passando por baladas setenta e oitentistas, lembrando The Mamas and the Papas em um trecho e até Roxette (!!) em outro. Interessante, interminável e gloriosa!

Antes disso, a bela e totalmente mgmtiana “Someone’s Missing” e a ótima abertura “It’s working”, além da conhecida “Flash Delerium”. “Song For Dan Treacy” consegue iniciar quase como uma música do Libertines (depois muda tudo…). E depois vem “Brian Eno”, mais uma ótima do disco, essencialmente indie. Tudo muito bem produzido.

A última é “Congratulations”, uma música surpreendentemente calma e pé no chão, distante de todo o disco.

No fim, o disco deixa mais perguntas que respostas. Que caminho tomou o MGMT? O que eles querem? Pra quê eles existem? Pra quê eu não sei, mas é bem legal que existam.

Ouve que é muito bom.

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Bom, na verdade não vazou (apesar de alguns fakes que rolaram por aí com músicas do álbum D-Side), o próprio Gorillaz botou em streaming pra todo mundo ouvir (na verdade o original é esse, mas não consegui ouvir por lá). O álbum sai dia 8 agora.

Um disco repleto de participações especiais. Bom sinal quase nunca é. Mas aqui é diferente.

“Welcome to the world of plastic beach” traz Snoop Dogg em hip hop bem a la Gorillaz. Em seguida uma mistura boa de sons étnicos (árabes, mais especificamente) com batidas de rap. Coisa do Gorillaz.

Só matamos a saudade de Damon Albarn (ou melhor, de 2D) na 4ª (e boa) “Rhinestone Eyes”, cheia de barulhinhos oitentistas (ou noventistas?).

Baladinhas exitem (Melancholy Hill e Broken), mas não têm lá grande destaque.

O legal do disco são suas excelentes surpresas: “Some Kind of Nature” (28 minutos) com Lou Reed, vocais cortados, boa melodia e produção fantástica é boa de ouvir de novo; “Sweepstaker” (mais ou menos aos 38 minutos) é incrível, misturando sons binários com uma vibe meio caribenha e hip-hop; “To Binge” (aos 47 minutos) é balada, música bonita, bem bonita, delícia, mais uma de ouvir de novo.

Rappers (Mos Def, Snoop Dogg, De la Soul), rockers (Paul Simonon e Mick Jones do Clash, Lou Reed), orquestras e muitos barulhos eletrônicos fazem os 56 minutos da obra.

No fim, Plastic Beach é bem agitado e gratificante. No fim o Gorillaz continua único e critativo.

Ouve que é excelente!

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Se você dormiu o mês inteiro ou esteve em marte ou na lua, não se preocupe, a gente traz aqui o que aconteceu de mais comentado e relevante (ou não).

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O álbum deve sair no dia 8 de março, mas vazou hoje.

O que se pode esperar do Black Rebel Motorcycle Club? Guitarras, muitas guitarras. Guitarras de arrebentar o chão, o teto e o que mais puder ser arrebentado.
Assim o álbum começa com a já conhecida “Beat The Devil’s Tattoo”, que dá toda a tônica do resto do disco.

“Sweet Feeling”, como o nome diz, é doce e bonita e, claro, lembra Howl, o clássico melódico incidental de 2005. Seguida a essa, vem a sublime “Evol”, uma emaranhado de sons muito bem arranjados, guitarras muito bem barulhentas, e vocal muito bem arrastado e desiludido.
Daí pra frente as incursões a Howl aparecem vez ou outra (como na incrível “The Toll”, um folk fodão), mas o que permanece é o bom e velho BRMC garageiro de Baby 81 e Take Them On, On Your Own .

Beat The Devil’s Tattoo não traz muita inovação ao portfólio banda, mas mostra como ela é competente no som que faz (ouça o riff de “Shadow’s Keeper”) e em toda a referência que acumulou nos seus mais de 10 anos. Assim, belas baladas e ótimas barulheiras constroem um discaço.

Ouve que é excelente!

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Todo mundo em clima de carnaval? Então toma!

Uma ópera eletrônica (!) em disco duplo de uma hora e meia (!!) sobre “A Origem das Espécies” de Darwin (!!!). O resultado só poderia ser um: cabeçudo. Ao extremo.

Tomorrow in a Year, a ópera, teve apresentações em Copenhague em setembro do ano passado e agora originou o álbum, que deve ser lançado fisicamente em 1° de março.

O novo disco do Knife ensina exatamente como não ser popular. Obviamente não é som pra qualquer um: exige fones de ouvido, imaginação e paciência. “Variation of Birds”, por exemplo, vai do insuportável ao belíssimo em seis minutos e quarenta segundos. Seguido a isso, coachares, cantos de pássaros, cigarras, cachoeiras e ventos durante 2 faixas e mais de 10 minutos (gravados diretamente da Amazônia!). “Colouring of Pigeons” e “The Height of Summer” são oásis lá pelo segundo disco.

É inegável, no entanto, que há muito clima no disco. Abstraindo um pouco você consegue sentir mais ou menos como se presenciasse a formação da Terra (mas lembre-se: fone de ouvido, imaginação e paciência). Mais do que experimentar o The Knife mostra com maestria como a música eletrônica pode ser usada para fins diferentes do tucs-tucs e do “dançar como se não houvesse amanhã”.

Com sopranos, barulhos e arranjos eletrônicos muito competentes, “Tomorrow, in a year” é o disco mais perturbador e experimental desse fim de década.

Ouve se tiver coragem, mas é uma experiência bem interessante.

Ps.: Esse disco vazou há algum tempo e tá disponível no site da banda, mas como o disco físico ainda não foi lançado, tá valendo.

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Boris e os lixeiros
Avatar e o globo de ouro
A terra deslizou em Angra dos Reis
Enchentes Zilda Arns
Terremoto no Haiti
Hugo Chavez X Imprensa O indie em 1o. na Billboard
Hebe tem câncer Twittess é persona non-grata
iPad O anti-iPhone
Campus Party

Ok, um pouquinho de nada atrasado, mas eu precisava guardar aqui o que passou de mais importante no primeiro mês do décimo ano do terceiro milênio. Posso ter esquecido alguma coisa mais relevante do que algo que esteja no mosaico. Se for o caso, comenta aí.

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Essa seção não deveria ter um post tão seguido, mas o vazamento surpreendente e dramático desse disco — que deve ser lançado só em primeiro de fevereiro — me forçam a escrevê-lo.

One Life Stand

Pra quem não conhece, Hot Chip é uma banda eletrônica/dance bastante comentada e esse álbum era muito esperado.

O álbum começa empolgante e agitado até a quarta música, a já conhecida “One Life Stand”. “Brothers” abaixa o faixo, mas ainda mantém um bom nível. Já “Slush” é uma baladona dispensável, até pelos seus longos 6 minutos e meio.

E aí começa a lembrar o bom Made In The Dark: o álbum vinha com músicas dançantes matadoras, mas mesclava (e mesclava demais) baladas de deixar com sono, e esse era seu grande mal. Já esse novo disco separa bem as coisas e traz melodias mais maduras do que anteriormente. Uma boa mistura do trabalho de 2008 com o elogiado The Warning de 2006.

Outra coisa que se nota é a falta de um potencial hit arrasa pista, como “Over And Over” ou “Ready for The Floor”. A que mais se aproxima é mesmo a música título do álbum.

Mas, ouve que é bem bom!

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Um oferecimento

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