Vazou! O The Suburbs do Arcade Fire
Há muito não escrevia por aqui. Especialmente pro Vazou!, um pouco por falta de vazamentos importantes (depois de uma época turbulenta de discos vazados em abril e maio), um pouco por preguiça falta de tempo. A gente pode lembrar do disco da M.I.A que saiu esses dias, talvez tenha sido o mais relevante (não exatamente o disco, que não é muito bom).
Mas os bons dias voltaram e estamos prestes a alguns dos lançamentos mais importantes do ano: Klaxons, Interpol, of Montreal e, principalmente, Arcade Fire, a banda mais cultuada do indie atualmente. Vazou The Suburbs, o terceiro disco do grupo canadense.
Tudo começou com uma carta no site oficial, dizendo ter 2 músicas, um single. Ok, Month of May e The Suburbs foram reveladas. Dias depois (em junho) eis a notícia: um disco novo (esperado há praticamente 3 anos, desde o lançamento de Neon Bible em 2007) pra logo, bem logo (02 e 03 de agosto). Depois: 16 músicas (!!). Depois: 8 capas (ok, praticamente iguais). Depois: um vazamento falso. Depois: uma crítica da BBC que o comparou ao OK Computer, o hiper-clássico do Radiohead, achando-o melhor. Isso tudo foi atiçando os ouvidos famintos da poesia, das angústias e da beleza do som do Arcade Fire. Ontem, enfim, vazou o disco.
O início é familiar, com a bela The Suburbs, ditando a saga do disco: uma viagem sentimental e reflexiva pelos subúrbios, mais ou menos como uma enorme metáfora para o mundo e para a vida. É um passeio mais fácil do que o apocalíptico de Neon Bible, e um pouco mais racional que o clássico Funeral, mas que exige algum tempo e novas audições para ser bem digerido, musical e liricamente.
Modern man, fantástica, lindíssima, intensa e tocante, é uma das faixas que traz o Arcade Fire clássico. Mas as surpresas ficam por conta dos sintetizadores, discretos e submersos entre violinos, contrabaixos, e guitarras de Half Light II, e predominante em Sprawl II, onde consegue uma bela harmonia com o preciosismo da banda e a voz de Régine Chassagne. Nos anos 80 seria um clássico.
City With No Children traz um quê de Bruce Springsteen (guardadas devidas proporções). Já Half Light I é fantasiosa e etérea.
O vocal de Win Butler continua eficiente, sem muita novidade mas versátil (ouvir Suburban War e Month of May na sequência pode ajudar a entender). A banda continua sublime.
Apesar de petardos como Deep Blue e We Use to Wait, os momentos finais do disco, que tem uma hora e três minutos de duração, são menos intensos, mas não chegam a macular o álbum.
Não há o que se questionar quanto a maturidade musical do Arcade Fire — isso talvez desde o primeiro disco –, mas se tratando de uma grande banda indie a cobrança é forte, as responsabilidades são maiores. The Suburbs é um grande disco, mas talvez fosse mais festejado se fosse de outra banda. Em se tratando de Arcade Fire pode desapontar alguns.
E depois de uma hora de audição, Win Butler diz: “If i could have back all the time we wasted I don’t wanna waste it again… if i could have it back, you know i’d love to waste it again…”. A segunda opção é a mais correta, será sempre bom gastar essa hora novamente.
Ouve, é excelente.







Um grande album, mas não é melhor doq o Ok Computer nunca! E, pelo menos na primeira audição, ainda não é melhor do que o Funeral!
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Pois é, comparar com o Radiohead é mexer em vespeiro, ainda mais com OK Computer. O que poderia ser tido como algo bom tem se tornado ruim, exagerado e tem deixado narizes tortos. É difícil inclusive comparar com Funeral.